​Psicoterapia para Adultos

Jung dizia que a vida é como uma montanha que subimos, mas que depois temos que descer. Subimos com a energia explosiva de uma bala de canhão, o vigor da criança, a vontade do adolescente. Somos aí donos da verdade, achamos que sabemos de tudo, temos opiniões radicais – o que faz parte do fortalecimento do ego. Com o amadurecimento percebemos que o mundo é muito mais rico e complexo, e que não dá para olhar as coisas na polaridade de totalmente certas ou totalmente erradas. Nossa missão instintiva é chegar no alto da montanha. Em certos momentos não vemos mais o sol e surge a sombra à nossa frente. Os machucados da subida doem. Com arranhões ou ferimentos profundos, de alguma forma chegamos ao cume.

 

Na terapia falamos sobre essas dores geradas no nosso crescimento, no desenvolvimento do ego. o apoio e o impulso que recebemos ou não dos nossos pais no início da subida, até que pudéssemos andar sozinhos. Se houve irmãos com quem compartilhamos este começo, dividindo muitas vezes a mesma bicicleta que nos levava no início do trajeto. Falamos com o terapeuta do conteúdo dos nossos machucados, vemos que alguns vão doer a vida toda, e que outros ficaram lá atrás. Lá em cima, no cume, começam a surgir as dores, que até então não parávamos muito para olhar porque precisávamos subir. O processo do amadurecimento está relacionado com o maior nível de independência. É preciso ter mais experiências, vivenciar de fato, sentir. A análise ajuda o indivíduo a integrar simbolicamente o que ele viveu. Quando eu consigo falar de experiências, das dores, trazer para a consciência, estou vivendo meu processo de individuação. Trata-se de um processo de integração de todas as minhas partes, que como placas tectônicas, às vezes se movimentam, causando estragos. É descobrir que não estamos na vida de graça e que tudo tem um sentido. É buscar tornar-se o melhor de si mesmo, apesar das marcas na pele que guardam memórias afetivas debaixo das cicatrizes, dos sofrimentos e dos eventos bons e companheiros importantes de jornada. Individuação é o processo de desfazer o trio eu, mamãe e papai e ser cada vez mais EU. Quanto menos eu dependo do pai biológico e fico mais pai de mim mesmo e conduzo minha vida, pago minhas contas, atendo meus compromissos, eu me desligo do pai de fora e fortaleço o pai interno, me desvinculando dos complexos narcísicos.

 

A terapia nos ajuda nesse processo tão importante, pois tudo aquilo para o que não olhamos, vira destino. Ajuda-nos a lidar com as angústias surgidas nos momentos em que vivenciamos um abismo dentro de nós, durante nosso caminhar pela montanha, as inúmeras vivências da sensação de que nossa estrutura ia ruir. No cume vivenciamos a metanoia, quando aproximadamente aos 40 anos de idade, na metada da vida, seu rumo muda de direção, e nós iniciamos a descida. Não sabemos para onde vamos, mas o final da descida da montanha é o mesmo para todos nós. Não sabemos morrer. Nunca passamos por essa experiência antes, mas precisamos aprender, todos os dias. Quanto mais nos cuidamos e tomamos as rédeas da nossa vida, mais próximos estamos de alcançar uma boa morte. Nada melhor do que chegarmos aos 70 anos percebendo que vivemos a nossa própria vida, e não a que levávamos conduzidos pelo outro, seja ele o outro ao nosso lado, ou o outro que com certo poder vive dentro de nós.

© 2019 - Rosimeire Balog Wancelotti - Psicóloga - CRP-SP: 06/81722

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