• Rosimeire B Wancelotti

Obesidade, um mal também da alma


O obeso se vê frequentemente tratado como um fraco, preguiçoso, sem força de vontade. A própria família muitas vezes o critica e é comum percebermos casos em que ela não coopera ou até sabota seus esforços para emagrecer. Se a obesidade se instala já quando criança, o adulto carregará consigo registros de humilhação e críticas comprometendo sua autoimagem e autoestima. Quando a obesidade acomete um adolescente, é importante que os familiares estejam atentos às complicações - tanto no âmbito psicológico quanto no orgânico. Trata-se de uma fase onde a aparência tem grande influência sobre a maneira como o jovem estabelece seu relacionamento com o mundo exterior. Por ser uma doença multifatorial, a obesidade requer cuidados de profissionais de diferentes áreas, mas nossa sociedade imediatista busca sempre um "remedinho" que resolva tudo bem rápido. Ocorre que, além das necessárias mudanças no estilo de vida, como nossa mente está ligada ao corpo, fica impossível mudá-lo sem alterar nossa maneira de lidar conosco (pensamentos e sentimentos) e com o mundo (pessoas e situações). Nem a cirurgia bariátrica - uma excelente intervenção coadjuvante no tratamento da obesidade - terá grandes chances de sucesso se o paciente não for adequadamente preparado e acompanhado psicologicamente, a fim de promover as outras mudanças além da física e obter a perda de peso desejada, com qualidade de vida e de forma duradoura. É comum conhecermos pessoas que passam pelo procedimento mas voltam a engordar. Afinal, por exemplo, é fácil ingerir uma lata de leite condensado aos poucos. Além disso, quem não conhece pessoas que adotam regimes radicais cujos resultados não perduram? Em geral, o comer em exagero ou o comer compulsivo pode estar funcionando para alívio de angústia ou ansiedade. É preciso percorrer um caminho de compreensão desses mecanismos, entendendo o que os ativam e como alterá-los para que outras esferas não sofram. O emagrecer será, portanto, uma consequência... Saúde física e saúde mental andam de mãos dadas e o auxílio da psicoterapia é fundamental.


Artigo também publicado para o jornal Cruzeiro do Sul

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© 2019 - Rosimeire Balog Wancelotti - Psicóloga - CRP-SP: 06/81722

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